
É mais ou menos como em português. Começas por escolher o postal mais ou menos piroso, com mais ou menos aplicações, mais ou menos brilhantes, mais ou menos corações. Fazes um rascunho do que queres dizer ou vais ter com alguém e pedes-lhe que escreva por ti ou copias uma citação mais ou menos banal de um autor mais ou menos conhecido (se for o caso de te quereres armar em interessante e te parecer que o destinatário é suficientemente tonto para engolir isso como demonstração genuína de afecto). Depois escolhes uma caneta e treinas a letra para o resultado final ficar tão bonitinho e tão certinho que se percebe à légua que não sabias o que havias de escrever e que o que escreveste não tem propriamente a ver com uma coisa que sentisses mesmo, mas com um efeito que querias produzir, e, se não sabias o que havias de escrever, mais valia que tivesses ficado quieto(a). Deixa lá os postais e vai comer uma maçã.