Um Ritmo Perdido, Lisboa: Edição da autora.Amor é descanso de busca.Ama e não procurarás.Pára para viver,E cega se tudo queres ver:Amor é descanso de busca.Deixa de pensar e acredita,Desprende-te de tiE assim te encontrarás:Amor é descanso de busca.
Ana Hatherly (1958),
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Amor é descanso de busca.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Um ritmo que não se perdeu.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Para não desaprender a fala #2
«Programa:
A experimentação consiste em confrontar em colunas separadas os textos que são citações (coluna da esquerda) com os que são criação (coluna da direita). O contraste entre ambos ilustra a dualidade intrínseca do acto criador, que reune indissoluvelmente pensamento e sentimento, memória e invenção.» (Op. ct., p. 246.)
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Para não desaprender a fala #1
O poema em causa é parte do conjunto «Poemas de Eros Frenético e Contemporâneos» cujo programa é o seguinte:
«Nestes poemas a experimentação consiste em partir de um mote, geralmente oferecido no título ou no início do poema, cuja glosa ou variação vai realizar-se nas palavras-chaves do poema em diferentes combinações, de modo a criar um clima de inebriante incerteza, um estado de perturbação próprio de uma emoção imensa.» (Op. ct., p. 122)
quarta-feira, 25 de março de 2009
Alguém me ouve se eu gritar?*
Quem ama
fica cheio de não-saber
não pára de procurar
Escrevendo o fulgor do êxtase
percorre o rio do sangue
conhece os horrores da guerra íntima
toda vermelha e crua
fértil em rupturas
incessante nos ataques
Não
nenhum rosto materno sobre o nosso debruçado
nos consolaria
se houvesse esse rosto
essa ternura impossível de entender
Nada nos pode consolar
do excessivo peso do amor
que oprime como a noite
cheia de não-saber
como tudo o que é divido
e inventado
De facto
não amamos como as flores
totalmente simples na sua entrega
Quando amamos
deixamos de ser o que somos
trasnfigurados pelo desejo
que mata
destrói
violenta tudo
E perscrutando a noite
que a si própria se escava e aplaina
amando
fitamos a intermitência das estrelas
deslumbrados por um brilho extinto
que fere com lentidão sideral
o ermo íntimo do nosso coração
Inatingível sempre
e como tal desejado
o verdadeiro amado
III-A
Quem ama
não pára
percorre
o rio do sangue
a guerra íntima
Não
nada nos pode consolar
do peso do amor
do peso do não-saber
do peso do divino
Transfigurados pelo desejo
fitamos as estrelas
deslumbrados
perscrutando
um brilho extinto
que a si próprio
se escava
e aplaina
III-B
cheios de não-saber
de guerra íntima
de rupturas
Nenhum rosto
nos pode consolar
do que é inventado
Não
não amaremos como as flores
totalmente simples
O desejo
violenta
tudo
fere
o ermo íntimo do nosso coração
Ana Hatherly (1999), Rilkeana, Lisboa: Assírio & Alvim, 40-43
*Op. ct.: p.29.
sábado, 21 de março de 2009
A verdadeira mão que o poeta estende
não tem dedos:
é um gesto que se perde
no próprio acto de dar-se
O poeta desaparece
na verdade da sua ausência
dissolve-se no biombo da escrita
O poema é
a única
a verdadeira mão que o poeta estende
E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta
Ana Hatherly (2003), O Pavão Negro, Lisboa: Assírio & Alvim.
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