quinta-feira, 31 de julho de 2008



8


A chuva. Não se dá por ela no fundo
do mar mas a sua massa interdita
palavras que nos eram oferecidas:
orvalho, narciso, sexo, aurora.
O que deve alguém escrever
quando o mundo começa a desa-
parecer? Insónia: Arca da Ressaca
e, num parêntesis de água, a loucura
de tomar por resguardo um piso-
teado céu de cinzas. Pudesse a manhã
devolver o desejo, a serradura
resfolegante, porque certo é:
veia que se se deite logo arrefece
se outro coração não lhe deita a mão.

António Cabrita, «Quem Toma as Nuves de Assalto? - Dúvidas de Sem, Filho de Noé», Carta de Ventos e Naufrágios, Teorema, 1997.

sábado, 26 de julho de 2008



O Génio


O génio, como o ouro e as pedras preciosas,
é apreciado principalmente pela sua raridade.

Os génios são pessoas que, com assombrosa facilidade,
escrevem extravagantes, impetuosos e ininteligíveis poemas,
e podres de bêbedos dormem pelas sarjetas.

O génio eleva quem o possui a inefáveis esferas,
do mundo vulgar distantes, e preenche a sua alma
de majestoso desprezo pelas rudes e sórdidas coisas terrenas.

É porventura à conta disto
que as pessoas que têm génio,
grosso modo, não pagam a sua passagem.

Os génios são muito especiais.

Se encontrar um jovem de cabelos desgrenhados
e ar angustiado, excêntrico no vestir,
pode tomá-lo por um génio.

Se ele denunciar a decadência de um mundo
que lisongeia a opulência trivial
em detrimento da inteligência,
será sem dúvida um génio.

Se ele for demasiado orgulhoso para aceitar ajuda
e com ar altaneiro a desdenhar,
ao mesmo tempo
que se sabe incapaz de ganhar a sua própria vida,
será com certeza um génio.

Se ele se agarrar com unhas e dentes à poesia,
muito embora a carpintaria lhe seja mais própria,
será um verdadeiro génio.

Se ele deitar fora todas as oportunidades
e depois de esgotar o afecto e a paciência dos amigos
em rimas sofríveis se lamentar da sua má sorte,
persistindo por fim,
apesar dos conselhos sensatos de pessoas ajuizadas
mas sem génio algum,
persistindo em seguir por uma rua esconsa e mal afamada,
morrendo em trapos velhos e imundos,
será sem sombra de dúvida um génio.

Mas acima de tudo,
verter destramente os delírios da loucura em verso
e apressar-se depois a embebedar-se
é o mais exacto dos diferentes sinais
de génio.


Mark Twain. Versão de Rute Mota.




Penso que neste momento
talvez ninguém no universo pense em mim,
que só eu me penso,
e se agora morresse,
ninguém, nem eu, me pensaria.

Começa aqui o abismo,
como quando adormeço.
Sou o meu próprio sustento e abandono-me.
Contribuo para que tudo se cubra de ausência.

Talvez seja por isto
que pensar num homem
se assemelhe a salvá-lo.


Roberto Juarroz. Versão de Rute Mota.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Dulcinea del Toboso
Charles Robert Leslie
daqui


Balada sobre Dons Quixotes


Perto do rio Moscovo, na rua Gluboki,
Dulcineias espreitam pela janela,
esperam a volta do trabalho
dos seus Dons Quixotes,
e, no lume azul, de centeio a ferver
fazem a sopa.
O tempo envelheceu-as um pouco - os trabalhos
fizeram-lhes pesar as pestanas, mas...
os Dons Quixotes chegam.
Sobem a escada lentamente
aos seus andares, às suas mansardas,
e os seus calcanhares batem nos degraus
e as campainhas soam como rouxinóis.
Dá-lhe as boas-vindas, Dulcineia!
Ele entra agora de andar cansado
com um ramo de lírios do vale,
sem armadura, não levando espada,
com um simples casaco de trabalho.
Dulcineia,
recordas o teu Dom Quixote
do passado?
Dulcineia,
recordas a infantaria
que passava,
com destino desconhecido,
quando, a cada momento, a morte ia ao seu encontro,
uma bala de lado lhe tocaria
a testa,
e a sua voz afogada deixaria de ouvir-se.
A panóplia de cavalaria está em todos os museus:
os museus dão cada vez mais valor às espadas,
mas
com uma granada no cinto, o rifle na mão, e:
«Não chores, Dulcineia, que eu voltarei!»

... Sim, há Dons Quixotes ainda vivos!
Em qualquer multidão roço por eles.
Sim, de madrugada oiço
botas a bater ao longo do rio.
Sim, elas olham das janelas,
sim, olham
para o brilho azul da noite inesperada
sobre a cidade.
Na rua Gluboki,
como em séculos passados,
as Dulcineias
anseiam
por um encontro de amante.

Bulat Okudjava, Poetas Russos, Relógio d'Água, 1995. Tradução e prólogo de Manuel de Seabra.

terça-feira, 22 de julho de 2008


There's not a woman turns her face
Upon a broken tree


segunda-feira, 21 de julho de 2008








Mapa
manuel a. domingos


25 de Julho (21h30m)
Café-Concerto do Teatro Municipal da Guarda
Apresentação: Pedro Dias de Almeida
Leitura de poemas: Américo Rodrigues

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Talvez não seja azul, mas parece ser um unicórnio





«É a história de uma fada, a vida de uma fada; que quem não creia em fadas feche este livro e o arremesse para um canastro ou o reduza ao papel sumptuário de recheio da sua biblioteca, lamentando o preço certamente avultado que terá pago pela sua estrutura*. Ao proceder assim e ao não ter em conta que tudo, absolutamente tudo, neste mundo inexplicável, funciona por razões que nos escapam, o seu cepticismo antiquado, que apodaria de vitoriano, não fosse o meu respeito por essa grande rainha, privá-lo-á de se inteirar de assuntos de interesse transcendente. Lamento-o de antemão por ele: há diferentes maneiras de se ser um pobre de espírito; há diferentes maneiras de se andar pela Terra acusando-a de insípida, aborrecendo-se, deixando-se morrer de monotonia e de tédio; e uma delas - talvez a mais estulta - consiste em recusar-se a provar o sal e a pimenta ocultos que a temperam de magia.»

Manuel Mujica Lainez, O Unicórnio, Cotovia, 1990. Tradução de António Gonçalves.




* Dá-se o caso de o ter encontrado, hoje mesmo, num caixote, numa feira. Não paguei pelo livro um preço assim tão avultado, antes pelo contrário. Seja como for, não serei eu a questionar que tudo, absolutamente tudo, neste mundo inexplicável, funciona por razões que nos escapam.

The Indian upon God


I passed along the water's edge below the humid trees,
My spirit rocked in evening light, the rushes round my knees,
My spirit rocked in sleep and sighs; and saw the moor-fowl pace
All dripping on a grassy slope, and saw them cease to chase
Each other round in circles, and heard the eldest speak:
Who holds the world between His bill and made us strong or weak
Is an undying moorfowl, and He lives beyond the sky.
The rains are from His dripping wing, the moonbeams from His eye.
I passed a little further on and heard a lotus talk:
Who made the world and ruleth it, He hangeth on a stalk,
For I am in His image made, and all this tinkling tide
Is but a sliding drop of rain between His petals wide.
A little way within the gloom a roebuck raised his eyes
Brimful of starlight, and he said:
The Stamper of the skies,
He is a gentle roebuck; for how else, I pray, could He
Conceive a thing so sad and soft, a gentle thing like me?
I passed a little further on and heard a peacock say:
Who made the grass and made the worms and made my feathers gay,
He is a monstrous peacock, and He waveth all the night
His languid tail above us, lit with myriad spots of light.




O Indiano acerca de Deus


Vagueei pela beira da água, sob as árvores húmidas,
O meu espírito embalado pelo crepúsculo, os juncos envolvendo-me os joelhos,
O meu espírito embalado por suspiros e pelo sono; e vi as galinholas
Numa encosta verdejante, escorrendo água, vi-as deixar de se perseguirem
Em círculos e escutei a mais velha que dizia:
Quem tem o mundo preso no Seu bico e nos fez fortes ou fracas
É galinhola imortal que vive para além do céu.
As chuvas caem das Suas asas gotejantes, os raios de luar dos Seus olhos.
Avancei um pouco mais e escutei a flor de lótus que dizia:
Quem fez o mundo e o governa pende de um caule,
Pois eu sou feita à Sua imagem, e todo este murmurar de água
É uma gota de chuva que desliza por entre as Suas pétalas.
Mais além, rodeado de trevas, um cabrito-montês ergueu os olhos
Repleto da luz das estrelas e disse: o Desenhador dos Céus
É um dócil cabrito-montês; pois, um ser tão dócil como eu?
Avancei um pouco mais e escutei um pavão que dizia:
Quem fez a erva e os vermes e as minhas penas garridas
É um enorme pavão, e sobre nós Ele acena toda a noite
A Sua lânguida cauda, iluminada por miríades de pontos luminosos.



W. B. Yeats, Os Pássaros Brancos e Outros Poemas, Relógio d'Água, 1993. Tradução de Maria de Lourdes Guimarães e Laureano Silveira.




Poema-objecto





Quando as olhamos muito tempo
em silêncio as coisas nem por isso
ainda falam mas mexem-
se dilatam-se oscilam
deambulam em si para lá para cá
Não não se dirigem a nós
mas deixam-se olhar
renunciam de bom grado a arestas
duras crescem como botões
como flores até ao fruto.
Receosos admiramos a sua metamorfose
a sua absurda vontade de viver
e agarramo-nos a elas
como se elas nos arrancassem
da mão a nossa morte.


Ulla Hahn, A Sede Entre os Limites, Relógio d'Água, 1992. Tradução de João Barrento.

quinta-feira, 17 de julho de 2008




Chega sempre um momento
em que há que descansar dos homens,
como a rosa do jardineiro
ou o jardim da rosa.

Como a água descansa da água
ou o céu do céu.

Como um sapato descansa do seu pé
ou um salvador da sua cruz.

Como um criador descansa da sua criação
ou a criação do seu criador.


Roberto Juarroz, Poesia Vertical, Campo das Letras, 1998. Antologia, tradução e notas de Arnaldo Saraiva.















quarta-feira, 16 de julho de 2008

ARLES




Era uma tarde de Verão, um pouco ao sul.
Nos nossos olhos, havia grutas
rumorosas, peixes que aderiam
ao tropel do vento, imagens a preto
e branco de um país ainda nosso.
Coisas simples de contar: as casas
de granito, as rugas multiformes, um fio
de verdade entre poses de abandono.


Trás-os-Montes para turistas, disseste.
Escuridão acesa onde as raízes
não se apagam com o tempo.


À flor das águas, a beleza nua
que ardeu em fotografias de circunstância
pequenos reflexos adormecidos
como um enigma, agonia breve
para decifrar mais tarde.



Maria Graciete Besse, Olhar Fractal, Ulmeiro, 1996.

Mercedes Sosa - Canción de las simples cosas

(...)

Al fin la tristeza es la muerte lenta
de las simples cosas
de esas cosas simples
que quedan doliendo en el corazón.

(...)

Por eso muchacha no partas ahora
soñando el regreso
que el amor es simple
y a las cosas simples
las devora el tiempo.

Demórate aquí en la luz mayor
de este mediodía
donde encontrarás
con el pan al sol la mesa tendida.


«Canción de las simples cosas», Cesar Isella.

terça-feira, 15 de julho de 2008

«A minha avó não deixava estragar nada. Com ela aprendi a dar atenção aos objectos aparentemente mais insignificantes, a reconhecer a sua beleza, a atribuir-lhes significados que não tinham nada a ver com o seu uso profano. Com ela aprendi a coleccionar, a encontrar. Com ela aprendi a brincar. Aprendi a maravilhar-me.»

Ulla Hahn, «Ars Poetica», A Sede Entre os Limites, Relógio d'Água, 1992. Trad. João Barrento.





domingo, 13 de julho de 2008

Ainda não passei pela experiência de grelhar douradas, Manuel. Portanto, é enquanto experimento outras actividades que vou pensando nestes e noutros assuntos. Quero dizer, lavo uma chávena, abro um livro, puxo por um cesto com rodas no supermercado, escolho nectarinas, olho para as pessoas, misturo água ao leite para um gatinho que é quase só orelhas de tão pequeno, dou uma palmada noutro maior que me quer trincar os pés e as rajadas de vento que passam por mim são as mesmas que agitam as árvores. Procuro o meu unicórnio azul, e Ulla Hahn (Relógio d'Água, 1992, trad. João Barrento) diz:


Este Verão cai com rosas
bravas cai com risos
bravos cai com instantes
bravos sobre a minha memória

Persegue-me até à sombra quente
de restos de muros altos verdes
deixa-me cair figos maduros
na boca

Adormece-me ao compasso do sangue
compasso dos cedros
deita-se leve cheio de volúpia lasso
sobre mim o mundo.


E eu fico a perguntar-me, eu que reservo para a literatura o mesmo cuidado que tenho para com tudo o resto, como pode ser isso, perda de tempo, como posso eu perder o que não possuo? Não eu. Eu nunca detive o tempo.


Não nos fazíamos mal


Apertavas-me afastavas-me
eu ia sem sacrifício
sabíamos que o adeus
já lá estava desde o início

Não nos fazíamos mal
cada carícia um conforto
piedade envolta em ternuras
cada abraço um laço solto.


Ulla Hahn, A Sede Entre os Limites, Relógio d'Água, 1992. Tradução de João Barrento.
Canção. Moderato


Como se para mim viesses
vieste tu ter comigo
a seguir desapareceste
como se eu fosse contigo.

Tu deitaste-te a meu lado
como se bem me quisesses
deste-me o teu coração
como se tal tu tivesses.

Tu escreveste-me uma carta
como quem para mim voltasse
e eu cantei esta canção
como se de mim se tratasse.


Ulla Hahn, A Sede Entre os Limites, Relógio d'Água, 1992. Tradução de João Barrento.

sábado, 12 de julho de 2008

Foi-se


O tempo dos grandes gestos foi-se e não voltará
os braços estão cansados de abrir e fechar
ledas ou tristes madrugadas tanto dá
o tempo dos grandes gestos foi-se e não voltará

O tempo dos vinhos doces foi-se e não voltará
está rolhado o paraíso. Quem me beber
o sangue em chumbo lhe coagulará
o tempo dos vinhos doces foi-se e não voltará

O tempo dos pedestais foi-se e não voltará
esclerosada a estátua de mármore. Sobre as veias
da testa a erva como feno crescerá
o tempo dos pedestais foi-se e não voltará.


Ulla Hahn, A Sede Entre os Limites, Relógio d'Água, 1992. Tradução de João Barrento.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

«- Fausto, geralmente esse tipo de explicação não é dado, mas como você não seguiu o contrato padrão, acho que posso abrir uma exceção. Afinal de contas, o sentido da vida também passa por estas questões. Há muito tempo, Deus chamou seu anjo favorito, Lúcifer, e expôs a ele Seus planos para a grande empresa da Criação, uma holding que envolve as marcas Terra, Inferno, Céu e Purgatório.

- Mas e o resto do universo?

- É virtual. Em parte há hologramas, mas também são utilizados recursos de sugestão hipnótica, mensagens subliminares, montagens cinematográficas, etc.

- Mas o homem na lua?

- Montagem, chegou até a vazar a notícia. Mas foi tudo contornado pelo agente infiltrado na Casa Branca.

- Agente na Casa Branca?

- É, temos agentes espalhados pelo mundo todo.

- Do Inferno?

- Do Inferno, que são os diabos, e do purgatório, que são os anjos, ou mentores, ou devas... O Inferno e o Purgatório são divididos em departamentos em conformidade às crenças dos sujeitos. No Céu o pessoal já superou essas mesquinharias e intolerância. Mas continuando a história, quando concebeu a Criação, Deus o fez para se livrar do tédio da eternidade. Pensou em um grande reality show para a diversão das almas que estão no Céu. Criou então a Terra, que é o tabuleiro de um grande jogo. Para ter mais graça, fez com que todos os participantes esquecessem tudo o que soubessem sobre o além e a eternidade. Além disso, nenhum dos que chegam à Terra sabe exatamente quais são as regras e os objetivos do jogo. Aos poucos, cada um vai-se informando com os que são mais experientes, muitas vezes seguindo pistas falsas. Agora o toque de mestre: foram criados diferentes manuais, concordando em boa parte no que se refere a alguns princípios, mas trazendo contradições, pistas falsas e mensagens segregacionistas, para que se formassem equipes concorrentes. Cada um desses manuais dá explicações diferentes para as questões mais intrigantes do jogo: a verdade, a injustiça, o sofrimento e a morte. Evidentemente, nenhuma delas é totalmente correta, senão o jogo estaria arruinado e o tédio voltaria à eternidade. Além disso, os manuais trazem histórias de traição, guerra, genocídio, idolatria, preconceito, amor, ódio, paixão, ciúme... Tudo para instigar os participantes. Ah!, o elevador chegou. Bem vindo ao Inferno!»

Paulo César Nascimento, «O Diabo e o Filósofo», 2.º lugar do Prémio Nacional Trindade Coelho (Município de Mogadouro).

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O Jornal Nordeste - bem como outros órgãos de informação on-line, refiro este por ser, dos que encontrei, o que dá maior destaque ao acontecimento - noticia a atribuição do Prémio Trindade Coelho, referindo que o valor pecuniário do primeiro prémio foi de €2500, aqui. Não foi. O valor do prémio, como ainda pode ser confirmado aqui, foi de €1500.
Tenho ainda alguma esperança de que a edição on-line seja corrigida, muito embora já me tenha sido dito que o que importa é o valor do meu trabalho. Acontece que o valor do trabalho existe, independentemente do valor do prémio que lhe seja ou não atribuído. A partir do momento em que se faz disso notícia, referindo o montante - e nada tenho contra isso, de resto, o regulamento é público -, então, que tal aconteça com rigor.
Note-se que até nem me importaria de ter recebido mais €1000. Simplesmente, não foi o caso.
25 de Abril de 1974 A Cólera Divina A Mulher Nua A Paixão segundo G. H. A Sede Entre os Limites à Sua imagem a ver a banda passar A Viagem do Elefante Adalberto Alves Adélia Prado Adília Lopes afectos agarra a rapariga pela cintura Alela Diane Amor é descanso de busca Amor Nosso de Cada Um de Nós Amor romântico Amores Ana Hatherly Ana Teresa Pereira Anna Ternheim António Gonçalves Anywhere on this road Aprendi a maravilhar-me April Arnaldo Saraiva Baladas Hebraicas Barry Schwartz Billie Holiday Blame it on my youth Blowin' in the wind Bob Dylan Broken Social Scene Canción de las simples cosas Carlos Ascenso André Ces petits riens Cesar Isella Charlie Parker Christina Courtin Clarice Lispector Com Licença Poética Contos Cruéis Cry me a river Dave Brubeck David Hockney Descansar dos homens despedidas Dias de tempestade e de silêncio Dizzie Gillespie Dizzy Gillespie Egon Schiele Elizabeth Bishop Else Lasker-Schüler Em busca do meu unicórnio azul esta distância que nos une Eugene Wright Extraordinary Machine Falling slowly faz de conta que é um poema Felled Totem I Fiona Apple Fishermen at Sea Foreign Country Fotos Françoise Hardy Frou Frou Glen Hansard Grândola Vila Morena Há muito tempo que que quero escrever este post Helena Almeida Hello Goodbye Her DIsappearing Theme Hilda Hilst Holly Cole Hot House I dreamed a dream I'm a Vamp I'm gonna sit right down and write myself a letter idade inéditos Irene Lisboa Janis Joplin Jeff Buckley Jesca Hoop. Love Is All We Have Joan as Police Woman João Barrento Joe Morello John Parish Jon Brion José Saramago Joy Division Klimt La question Lábio Cortado Laços de Família Laureano Silveira Let go Lhasa Look what they've done to my song Love me if you dare Loveology Lover you should have come over Luísa Costa Gomes Luiza Neto Jorge M. Ward Make It Go Away manuel a. domingos Manuel Mujica Lainez Manuel Poppe mapa Marguerite Duras Maria de Lourdes Guimarães Maria Graciete Besse Maria Tecce Marianne Faithfull Mark Lanegan Marketa Irglová Marquês de Chamilly Melanie Safka My Favourite Things Não se diz mais nada Não sou uma andorinha Nice work if you can get it notas avulsas Nu azul O Diabo e o Filósofo O Marinheiro de Gibraltar O Meu Coração É Árabe O Pássaro de Vidro O Pavão Negro O Unicórnio Ode descontínua e remota para flauta e oboé Oh My Mr. Blue Olhar Fractal Omertà One Art Os Pássaros Brancos e Outros Poemas Ovídio Pablo Picasso página 161 Para não desaprender a fala Para viver um grande amor Passover Patchwork Paul Desmond Paulo César Nascimento PJ Harvey Plácido Poema para o Zé Poesia Vertical por razões que nos escapam Preciosidade Prémio Nacional Trindade Coelho Quem me feriu perdoe-me Querido Diário Regina Spektor Rilkeana Rita Redshoes Roberto Juarroz Rui Almeida Running for our lives Rute sabedoria prática She's Gone Speak Low Stacey Kent Stars of Leo Strange little girl Susan Boyle Suzanne Vega talento Tempo Teorema de Pitágoras Terrified The Ballad of Lucy Jordan The Beatles The Kiss The Queen and the Soldier The Ride The stranglers Thelonious Monk Tom Waits Uberto Stabile Ulla Hahn Um Dia e Outro Dia Um pensamento muitas vezes repetido Um Ritmo Perdido uma espécie de recensão Uma gaivota voava Uma história de amor é sempre extraordinária Ute Lemper variações com pássaro de vidro Vasco Gato Versão de Rute Mota vídeo Villier de L'Isle-Adam Vinicius de Moraes W. B. Yeats Watch her disappear William Turner Woman left lonely Yann Samuell Yma Sumac Zeca Afonso Zeca Baleiro